A importância da arte para o desenvolvimento da criança

Muitas pessoas, desconhecem como a arte está relacionada à educação da criança desde pequena, quando com um simples giz de cera ela faz os seus primeiros rabiscos.

 

 A afirmação acima é da psicopedagoga Beatriz Piccolo Gimenes, que destaca ser essa produção uma das manifestações humanas mais antigas e que precedem a linguagem escrita. Introdutora da Brinquedoteca na educação com intuito preventivo aos problemas de aprendizagem, Beatriz explica que a arte é uma ferramenta que possibilita o desenvolvimento da criança por meio da educação, atua na autoestima, facilita a elaboração de linguagens expressivas de comunicação e o refinamento no aspecto da sensibilidade infantil. “Para uma criança em vulnerabilidade social é imprescindível o contato com a arte,” ressalta.

A vulnerabilidade social, de acordo com a psicopedagoga, é um conceito moderno multidimensional, que se atribui a algum segmento da população, cujo limiar de resiliência diante de estímulos ambientais negativos, encontra-se muito baixo. Ela explica que a criança vulnerável apresenta-se em condição de fragilidade material ou moral diante de influências nocivas que possam comprometer o desenvolvimento sadio de sua saúde orgânica, física e/ou mental.

Dentre os principais benefícios da arte na educação infantil, Beatriz diz que as atividades artísticas estão ligadas aos aspectos da sensibilidade humana... Com a imaginação e a criatividade usadas em atividades psicomotoras finas - as mãos; a arte se corporifica! Por meio dela, o ser humano desenvolve e aprimora a percepção visual e os demais sentidos. “Esse constante olhar permite que a criança se encante com o que vê, aperfeiçoando-se contínua e crescentemente. Com as mãos ela aprende a riscar, rabiscar, desenhar, pintar, modelar, tecer, bordar, escrever, manipular instrumentos musicais, compor e outras importantes ações”, diz.

E acrescenta: “Ao escutar uma música, essa audição sensibiliza o homem no âmbito dos sentimentos também, porque esse sentido nos excita com sons ruidosos, ou nos acalma com aqueles mais harmoniosos”. Por essa percepção, a criança modula o seu ritmo corporal de expressão, cria seus trejeitos no modo de andar e “concretiza a sua personalidade no deambular – o seu ‘dançar’ ao se locomover”, complementa.

Para a psicopedagoga os procedimentos da criança devem ser aprimorados continuamente, e ela sempre deve saber o que esteja fazendo, porque isso lhe trará satisfação interior pelo retorno recebido de seu grupo social, como consequência de um processo retro alimentador, ou seja, quanto mais fizer bem, cada vez mais segura de si ao agir, logo, mais crescente será a sua autoestima.

“Atualmente, a arte é introduzida na educação da criança como Arte-Educação, um meio facilitador de expressão distinto daquele de se comunicar com a palavra oral com as pessoas, não para tornar a criança um artista, ou um Picasso e para isso, ela deve ser facilitada por um adulto que, com estímulos específicos para cada modalidade artística, favoreça esse despertar na criança,” esclarece.

Beatriz destaca que a música é uma das primeiras manifestações que a criança realiza, com a ‘lalação’, como imitação da fala humana, por exemplo. “Ao mesmo tempo, a expressão corporal com o ritmo próprio da criança em seu engatinhar ou nos primeiros passos, é base para a dança e a dramatização na pré-escola, ou o teatro na fase escolar” complementa.

Ela ressalta que a Neurociência vem comprovar o bem que determinadas atitudes humanas produzem a si mesmo, demonstradas nas estruturas cerebrais - sistema límbico e outras.  E destaca: “Assim como o raciocínio contribui no cálculo matemático, colaborando para que a criança saiba realizar uma simples compra, sabe-se também, que essa mesma qualidade adentra na elaboração do desenho de uma flor feita em um cartão de amor à mãe.”

A experiência de Beatriz na arte-educação de crianças começou em 1982, quando ela pôde introduzir a brinquedoteca na educação com intuito preventivo aos problemas de aprendizagem. A Brinquedoteca da IAM apresenta sub espaços direcionados às várias maneiras de manifestar/ brincando: fazendo desenhos, pintando, fazendo recorte/colagem, dramatizando com uma coroa de príncipe e outras atividades. Desde 2014, a IAM tem profissionais arte-educadores, concretizando a arte em diversas modalidades na educação até aos 12 anos.

Voluntária na IAM há 41 anos, Beatriz diz que hoje há um trabalho integral com as crianças. E finaliza que arte é terapêutica e lúdica quando oferecida à criança, pois brincando ela prepara o indivíduo para seu crescimento profissional futuro, facilita a saúde mental.

* Colaborou com essa ‘matéria’ a psicóloga, mestre em Psicologia da Saúde, especializada em Psicopedagogia, em Terapia Familiar em Hospital, em Psicologia Clínica Neo Reich, Terapia em Visão Subnormal/Baixa Visão, com larga experiência em Psicomotricidade, e, atualmente, Doutoranda em Ciências, pela EPE/UNIFESP - Beatriz Piccolo Gimenes (Conselheira da IAM, gestão 2018-2021).

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